domingo, 2 de janeiro de 2011

Não queria acordar


O cheiro era de flores, verde e terra molhada. Um riacho próximo cantava constantemente a música da natureza, passando ao ambiente uma paz inigualável. Uma leve brisa refrescante balançava a copa da frondosa mangueira. Ela me proporcionava uma sombra pontilhada de raios dourados. 
O dia estava ensolarado, mas com clima ameno. O céu, de um azul vibrante, ainda apresentava uma coloração rosada no horizonte – pinceladas do amanhecer. Pássaros de diversos tipos entoavam o canto da aurora, afinadamente. Você estava lá. O teu cheiro era tão bom. O teu peito, despido e másculo, era mais confortável que tudo. Tua respiração, tua pele macia e pálida, teu calor, teu olhar... Tudo me inspirava segurança. O arrepio do teu beijo e o calor do teu abraço faziam desse momento único e especial. Meu coração bateu forte. Não existiam preocupações, mágoas, ressentimentos, problemas nem lágrimas. Eu estava no paraíso. O tempo não passava. Deitei-me à margem do riacho, com os pés na água. Ela estava fria e massageava-os, relaxando-me por inteiro. Um grupo de borboletas amarelas e violetas passou por mim; uma festa de cores dançantes no ar. As folhas caíam sobre mim como fadas me dando beijos de bom dia. Mas nada como os teus beijos. Silêncio. Apenas o barulho do riacho e o murmurar do vento nas árvores. Teu abraço confortante e caloroso me basta, não é necessário nenhum diálogo entre nós. A simples presença um do outro é suficiente. O sol já estava no centro do céu, com todo o seu esplendor. Embora horas tenham se passado, eu não sentia fome alguma. O que mais uma pessoa necessita quando se está saciada de amor? A tarde foi chegando. Deitada na grama verde, comecei a imaginar desenhos nas nuvens do céu. Vi um cavalo, com um homem montado. Deveria ser um príncipe em busca de sua princesa em perigo. Parei em uma nuvem vermelha, em forma de coração. Ela, juntamente com o canto das cigarras, anunciava o pôr-do-sol. Vi a primeira estrela aparecer no céu. Não fiz nenhum pedido, pois tudo o que eu queria já estava ali, comigo. Quando o céu escureceu de vez, percebi que não era uma estrela, e sim um planeta: Vênus. Afrodite brilhava de inveja, pois, naquela noite, a deusa do amor era eu. Nesse cenário mágico, você me toma em seus braços, abraça-me forte e diz ao pé do meu ouvido: “Eu te amo eternamente, meu amor”. Tua voz, ao dizer isso, soou melhor do que o canto dos pássaros ou das cigarras. Nos meus sonhos tudo é possível. E, como em todo sonho, eu acordei. O despertador agitou meus tímpanos, como se fossem um prato de bateria. Tive vontade de arrebentá-lo na parede, mas ele me seria útil nos dias seguintes. Passei da paz para o caos tão bruscamente... Meus olhos não queriam abrir. Era como se holofotes iluminassem a minha face. Um bocejo indica que não dormi o suficiente. Dor de cabeça. Sono. Cansaço. Trabalhos. Testes. Vestibular. O sonho acabou. Estou de volta à realidade.

Eu passo tanto tempo
Só te procurando
Em um outro alguém
Mas não posso me enganar
Sinto sua falta

Shinning Star 

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