segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Olhar estrelas

É ver o que não podemos entender. Apreciar e amar o que se limita apenas ao alcance da visão. Cintilam no céu como corações pulsantes, vivos. Olhar o infinito pontilhado, sentindo-se desprezível diante de tamanha grandiosidade. Coração bate forte. Brisa leve balança as madeixas com aroma de jasmim. No silêncio da noite, as estrelas parecem fadas distantes, me observando. Posso ver no firmamento curiosidade, paz, beleza, mistério, fantasia, você. Eu queria poder sair voando por aí... Sem sentir a falta do oxigênio, nem congelar no vácuo. Correr pelo universo como se a luz não fosse o limite; deitar na Via Láctea e apreciar a dança rodopiante dos astros. Pular pelas nebulosas, brincar com as estrelas e correr pelo universo desviando das galáxias. Viajar onde nenhum telescópio jamais explorou; chegar ao sem-fim da escuridão. Como se eu não fosse apenas mais um ponto insignificante nessa imensidão.

Shinning Star 



segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Assíndeto


Amo. Amo. Amo.
Beijei. Sonhei. Sorri. Cantei. Dancei. Gritei. Pulei. Contei. Ouvi. Aceitei. Gargalhei. Voei. Caí. Machuquei-me. Chorei. Sofri. Respirei. Levantei. Sorri. Segui. Conheci. Encantei. Apaixonei. Amei. Amei. Beijei. Sorri. Corri. Gritei. Amei. Contei. Dancei. Cantei. Levitei. Voei. Flutuei. Parei. Amanheci. Brilhei. Esquentei. Iluminei. Radiei. Anoiteci. Brilhei. Estrelei. Reluzi. Cintilei. Amanheci. Anoiteci. Amanheci. Anoiteci.
Radiante como a aurora. Cintilante como uma estrela. Feliz como nunca.
 

Shinning Star 


sábado, 22 de janeiro de 2011

Obs:


Quando a gente pensa que conhece uma pessoa, significa que não sabemos nem 70% do que há dentro dela, nem do que ela viveu por aí. Por isso, só quem tem a certeza absoluta de um sentimento é a própria pessoa que sente, mais ninguém. Ninguém tem o direito de dizer que me conhece, que sabe quem eu amo ou que sabe o que acontece na minha vida. Entendo como você se sente... Não entende nada. Eu sei que tu ainda sofres por ele... Não sabe nem metade. Eu sei que ele não liga pra ti, mas... E por acaso eu ligo pra ele ou se ele está ligando pra mim? Eu já cansei disso. Nem tudo o que eu escrevo aqui é sobre mim. Isso aqui não é um diário.
Não tentem adivinhar a minha vida. Vocês não vão conseguir.

Shinning Star 


sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Metáfora

Nunca saberás quão boa é a tua memória, até que tentes esquecer um grande amor.
Amanheceu. Ainda estava escuro, e eu não percebera as nuvens rosadas e laranjadas por trás das montanhas. Aos poucos o céu foi clareando. Passou da escuridão para um azul vibrante, decorado com algodão-doce no horizonte. Os pássaros cantavam entusiasticamente, saudando o astro-rei surgindo gloriosamente no firmamento. O dia nasceu feliz. A brisa fraca balançava a relva e espalhava o aroma doce de flores por todo o ambiente; ao passo que borboletas coloridas cintilavam sob os raios dourados. Tudo simples e perfeito. O sol foi subindo, diminuindo a sombra das árvores. Porém, mal deu tempo do clima esquentar. Tudo foi escurecendo. A tempestade formou-se, assustadora. A forte ventania arrancou folhas das árvores e espalhou entulho por todos os lados. A chuva caiu, varrendo tudo o que tinha de mais belo: flores, arbustos, grama... Tudo ficou destruído. Quando a turbulência passou, já havia anoitecido. A noite estava fria, escura e silenciosa. Não havia estrelas nem luar. Só eu, numa negra imensidão sem fim. Foi, então, que eu senti um perfume; o seu perfume. Meu coração, a muito parado, palpitou levemente. Surgiram pontinhos cintilantes no céu, a lua brilhou. Estrelas cadentes rasgaram a noite. Outra vez o céu estava prestes a clarear. Não! Não quero que isso nasça novamente em mim! Não. Deixar esse sentimento “amanhecer” outra vez em meu peito não seria uma boa idéia. Por mais que a manhã seja esplendorosa, o dia sempre acaba em tempestade, devastador. Meu coração prefere a noite: silenciosa, amena, estrelada, tranquila.


Shinning Star 


terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Perdida nas estrelas dos teus olhos

Me pego te olhando; assim, toda boba. Meus olhos cintilam feito estrelas.
Teus olhos sedutores. Cabelos castanhos. Lábios macios e rosados. Pele alva. Corpo másculo. Perfume atraente. Sorriso gentil. És um lobo com pele de cordeiro. Perfeito caçador, com os melhores atrativos para conquistar sua presa. Mas que presa burra! Totalmente consciente dos prováveis perigos, ela avança cada vez mais para as garras do predador, embriagada de paixão.
Sonho mais acordada que dormindo. Minha mente emerge dos devaneios. Olho em volta, constrangida. Disfarço, na esperança de ninguém ter percebido. Esse segredo é só meu. Assim, mais uma vez, faço de conta que tu és mais um entre os outros, sem muita importância.
Antes fosse.


Shinning Star 

domingo, 9 de janeiro de 2011

Lonely

O meu amor sozinho é assim como um jardim sem flor.(Vinícius de Moraes)


Você é o sol do meu céu
E a tempestade também
Você me faz mal
E me faz tão bem.

Você é o sonho que eu nunca vou realizar
A flor que nunca nascerá no meu jardim
O homem que eu sempre vou amar
A parte que sempre vai faltar em mim.

Um amor assim
Tão lindo e grande assim
Que existe em mim
Não pode acabar desse jeito:
Solitário


Shinning Star 

domingo, 2 de janeiro de 2011

Como se ainda fosse


Nós éramos melhores amigas; dos tempos das brincadeiras de casinha aos esmaltes e batons, quando nossas vidas tomaram rumos diferentes. Para selar esta amizade fizemos um pacto, o qual determinava o nosso reencontro dez anos depois. Coisas de adolescentes.
Uma década se passou. O dia esperado chegou. Depois de todo esse tempo eu ainda guardava essa data na memória. Fui ao local combinado: o antigo colégio onde estudávamos. Ficava em outra cidade, mas tudo já estava programado para a viagem e, além disso, eram apenas alguns quilômetros. Não mantínhamos nenhum contato havia anos, entretanto tive a esperança de encontrar uma mínima gota de amizade entre nós; afinal, não conheci casal de amigas mais companheiras.
O tempo passava lento. Já esperava a mais de uma hora e nada. A escola estava diferente, mais moderna. Não era mais o ambiente familiar e aconchegante de que eu lembrava; não reconhecia ninguém. Olhei o relógio. Será que ela esqueceu?  Já estava quase desistindo. Foi, então, que eu a vi. Laís estava muito diferente, mas com o mesmo jeito destrambelhado e alegre de sempre.
– Oi! - eu disse. Mas ela passou por mim como uma flecha. Fiquei confusa. Não me reconheceu?  Ela foi até uma sala e trouxe de lá uma garota, parecida com ela. Aproximei-me das duas.
- Tu não se lembras de mim?
Ela fitou-me por uns segundos, pensativa. Disse, finalmente:
- Beatriz!!! Quanto tempo que eu não te vejo. Quase não te reconheço!!
- Meu nome é Bianca. – Nossa, ela não lembrava nem o meu nome. Perguntei:
- E quem é essa mocinha?
- Ahh.. Essa é a minha filha Larissa.
Contei a ela o motivo de minha visita. Ela esquecera o encontro completamente. Na verdade, foi tudo uma coincidência. Por sorte, ela matriculara a filha na mesma escola em que estudávamos. Tentei dialogar, repassar as conversas atrasadas. Porém, ela parecia não dar muita importância. Então, como o sol triunfante que aparece em meio às nuvens de um dia nublado, eu o avistei.
Ricardo estava com a mesma feição jovial, mas com uma pitada de maturidade. O tempo só fez bem a esse homem. Meu coração bateu forte, minha face enrubesceu e um sorriso nasceu discreto.
- Ainda não acredito que ainda o amo – eu disse. Laís fez uma careta de desaprovação. Ela sabe de toda a nossa história.
Apaixonei-me por ele ainda jovem, com treze anos. No início não era nada significante. Mas, com o passar do tempo, esse sentimento cresceu exponencialmente. Uma paixão avassaladora, platônica. Para minha felicidade, ele se apaixonou por mim. Vivemos juntos os momentos mais felizes da minha vida. Todos inesquecíveis. Porém, ele me deixou; sem dar desculpas, motivos. Laís nunca aprovou meu amor por ele. Sempre achei que alguém estaria por trás disso, mas quem? Talvez nunca saiba. Mesmo casada, as lembranças desse amor adolescente vinham à tona, vez ou outra. Foi uma coisa que eu consegui superar, mas nunca me conformei.
Ele caminhou em nossa direção, sorrindo. Passou por mim, beijou Laís e tomou a menina no colo. O que?! Laís me olhou, envergonhada. Disse:
- Esse é meu esposo Ricardo. – ele não me reconheceu.
- Prazer em conhecê-lo. – eu disse, virando em direção à saída antes que as lágrimas derramassem. Não acredito que ela fez isso comigo!! Voltei para casa decepcionada. Agora estou aqui, imersa em meus pensamentos.
Laís presenciou todo o meu sofrimento, minha angústia, minha depressão. Nunca imaginei que ela seria capaz de fazer isso. A garota tinha em torno de oito anos, o que significa que eles ficaram juntos logo após a minha partida. Agora, entendo o motivo pelo qual ela nunca aprovara meu relacionamento com Ricardo. Ela o amava. Mas isso não justifica o que ela fez.
Lembrei dos momentos que passamos juntas: bonecas, pique-esconde, assinaturas na agenda, armações, fugas para a festa. Ela realmente era minha amiga? Dizem que amizade verdadeira nunca morre. Morreria depois de dez anos? Talvez. Eu tinha esperança, mas ela morreu com o que restou de nossa amizade, naquele corredor de escola. Isso se existiu amizade algum dia, já que é um sentimento que só se concretiza quando é recíproco.
Quando eu a vi, senti toda a nossa amizade vir à tona. Senti vontade de abraçá-la, fazer o nosso “toque”, usar nossas gírias e contar as novidades. Nada foi como antes. Mas, por um instante, senti como se ainda fosse.

Shinning Star 

Não queria acordar


O cheiro era de flores, verde e terra molhada. Um riacho próximo cantava constantemente a música da natureza, passando ao ambiente uma paz inigualável. Uma leve brisa refrescante balançava a copa da frondosa mangueira. Ela me proporcionava uma sombra pontilhada de raios dourados. 
O dia estava ensolarado, mas com clima ameno. O céu, de um azul vibrante, ainda apresentava uma coloração rosada no horizonte – pinceladas do amanhecer. Pássaros de diversos tipos entoavam o canto da aurora, afinadamente. Você estava lá. O teu cheiro era tão bom. O teu peito, despido e másculo, era mais confortável que tudo. Tua respiração, tua pele macia e pálida, teu calor, teu olhar... Tudo me inspirava segurança. O arrepio do teu beijo e o calor do teu abraço faziam desse momento único e especial. Meu coração bateu forte. Não existiam preocupações, mágoas, ressentimentos, problemas nem lágrimas. Eu estava no paraíso. O tempo não passava. Deitei-me à margem do riacho, com os pés na água. Ela estava fria e massageava-os, relaxando-me por inteiro. Um grupo de borboletas amarelas e violetas passou por mim; uma festa de cores dançantes no ar. As folhas caíam sobre mim como fadas me dando beijos de bom dia. Mas nada como os teus beijos. Silêncio. Apenas o barulho do riacho e o murmurar do vento nas árvores. Teu abraço confortante e caloroso me basta, não é necessário nenhum diálogo entre nós. A simples presença um do outro é suficiente. O sol já estava no centro do céu, com todo o seu esplendor. Embora horas tenham se passado, eu não sentia fome alguma. O que mais uma pessoa necessita quando se está saciada de amor? A tarde foi chegando. Deitada na grama verde, comecei a imaginar desenhos nas nuvens do céu. Vi um cavalo, com um homem montado. Deveria ser um príncipe em busca de sua princesa em perigo. Parei em uma nuvem vermelha, em forma de coração. Ela, juntamente com o canto das cigarras, anunciava o pôr-do-sol. Vi a primeira estrela aparecer no céu. Não fiz nenhum pedido, pois tudo o que eu queria já estava ali, comigo. Quando o céu escureceu de vez, percebi que não era uma estrela, e sim um planeta: Vênus. Afrodite brilhava de inveja, pois, naquela noite, a deusa do amor era eu. Nesse cenário mágico, você me toma em seus braços, abraça-me forte e diz ao pé do meu ouvido: “Eu te amo eternamente, meu amor”. Tua voz, ao dizer isso, soou melhor do que o canto dos pássaros ou das cigarras. Nos meus sonhos tudo é possível. E, como em todo sonho, eu acordei. O despertador agitou meus tímpanos, como se fossem um prato de bateria. Tive vontade de arrebentá-lo na parede, mas ele me seria útil nos dias seguintes. Passei da paz para o caos tão bruscamente... Meus olhos não queriam abrir. Era como se holofotes iluminassem a minha face. Um bocejo indica que não dormi o suficiente. Dor de cabeça. Sono. Cansaço. Trabalhos. Testes. Vestibular. O sonho acabou. Estou de volta à realidade.

Eu passo tanto tempo
Só te procurando
Em um outro alguém
Mas não posso me enganar
Sinto sua falta

Shinning Star