terça-feira, 19 de julho de 2011

Amor de verão

Pôr-do-sol mais que perfeito. Cheiro do mar, gosto do mar, som do mar. Deitados na areia ainda molhada, estavam procurando a primeira estrela da noite; em meio a nuvens de algodão-doce rosa. Aos poucos, o céu foi ficando pontilhado, cintilante. A lua apareceu no horizonte, sorridente e maliciosa. Conheceram-se naquela praia mesmo, no mesmo verão. Se olharam e surgiu aquele magnetismo. O que um sentia pelo outro não era amor, talvez nem paixão - ainda. Era vontade de ficar junto, gostar de estar perto. E eles passaram a noite assim. Pularam ondas, rolaram na areia, cataram conchinhas, fizeram castelos de areia. E se amaram. Beijo com areia, salgado, com vontade. Um pouco antes do amanhecer eles viram uma estrela cadente. Cada um fez, secretamente, um pedido: ela pediu um amor verdadeiro e ele queria a felicidade plena - não muito longe de serem realizados. Eles viram o sol despontar no leste, manchando o oceano de vermelho. Andaram na beira do mar, com os pés na espuma salgada e afundando na areia. Trocaram o número de telefone e se despediram. Rumos distintos. As férias acabaram com gosto diferente. A vida não voltou a ser tão normal. Ele sempre comparava as moças que encontrava por aí com ela. Ela sempre pensava nele quando repousava a cabeça no travesseiro. Mas não mantiveram contato. Foi só um amor de verão. Agora, tão longe um do outro, melhor não se apegar. Essas paixõezinhas duram enquanto durarem as férias, a curtição. Tudo efêmero. Mas dessa vez foi diferente. Foi como as ondas do mar. Elas te levam, te arrastam para longe. Mas te trazem de volta, te puxam para o lugar onde você estava. E nem sempre você é forte o bastante para resistir. Amores de verão não são assim. No verão seguinte, um ainda marcava presença na memória do outro. Voltaram para a mesma praia, no mesmo dia - não coincidentemente. Olhar atento, na procura secreta daquele rosto quase esquecido de um verão atrás. E quando aqueles olhos se encontraram foi revelador. Ela descobriu que era ele o amor verdadeiro que ela procurava. E ele percebeu que estava nela a felicidade que ele queria. Estrela cadente mais que competente na realização de pedidos. Um sorriso, um abraço, um beijo, um sentimento. Combinaram-se como o azul do mar combina com o azul do céu. E começaram um novo amor de verão, outono, inverno, primavera.

Shinning Star 

sábado, 2 de julho de 2011

Tardes de julho

Sinto falta do barulho do vento nas folhas daquela árvore enorme, no jardim da minha avó. Deitada na grama, eu contava as folhas secas que caíam, dançando. Céu azul vibrante. Via mil e um desenhos diferentes nas nuvens. O brilho metálico dos beija-flores enfeitava o jardim, juntamente com as flores que eles beijavam. Eu gostava do aroma de café preto que invadia o ambiente; a vizinha fazia todas as tardes. Contava as pipas no céu, elas sempre estavam por lá nessa época do ano. As tardes eram quentes, mas com um vento que trazia consigo toda a paz que eu poderia precisar. E eu ficava assim, pensando na vida, até as primeiras estrelas cintilarem lá em cima. Agora aquela árvore não está mais lá. Não tem mais grama, nem sombra, nem folhas caindo. Eu não reparo mais no desenho das nuvens. Não tenho tempo de contar quantas pipas brincam no céu azul. Nem sei se a vizinha ainda faz café preto às tardes. Quantos anos eu tinha? Sete. Nove, talvez. Tudo parece tão simples, mas eu queria muito ter isso de novo. Mas o tempo não volta; o que volta é a vontade de voltar no tempo.

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