Sinto falta do barulho do vento nas folhas daquela árvore enorme, no jardim da minha avó. Deitada na grama, eu contava as folhas secas que caíam, dançando. Céu azul vibrante. Via mil e um desenhos diferentes nas nuvens. O brilho metálico dos beija-flores enfeitava o jardim, juntamente com as flores que eles beijavam. Eu gostava do aroma de café preto que invadia o ambiente; a vizinha fazia todas as tardes. Contava as pipas no céu, elas sempre estavam por lá nessa época do ano. As tardes eram quentes, mas com um vento que trazia consigo toda a paz que eu poderia precisar. E eu ficava assim, pensando na vida, até as primeiras estrelas cintilarem lá em cima. Agora aquela árvore não está mais lá. Não tem mais grama, nem sombra, nem folhas caindo. Eu não reparo mais no desenho das nuvens. Não tenho tempo de contar quantas pipas brincam no céu azul. Nem sei se a vizinha ainda faz café preto às tardes. Quantos anos eu tinha? Sete. Nove, talvez. Tudo parece tão simples, mas eu queria muito ter isso de novo. Mas o tempo não volta; o que volta é a vontade de voltar no tempo.
Shinning Star ✨
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