quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Amor próprio também dói

Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigado e triste, e triste e fatigada eu vinha. Tinhas a alma de sonhos povoada, e alma de sonhos povoada eu tinha. E paramos de súbito na estrada da vida: longos anos, presa à minha a tua mão, a vista deslumbrada tive da luz que teu olhar continha. Hoje segues de novo. Na partida nem o pranto os teus olhos umedece, nem te comove a dor da despedida. E eu, solitária, volto a face, e tremo, vendo o teu vulto que desaparece na extrema curva do caminho extremo. (Olavo Bilac)

Tudo começou inesperadamente. Aquele sentimento cresceu discreto, como as primeiras flores da primavera. No início, ela não queria admitir. O seu coração estava abandonando aquele que ela acreditava ser o amor da sua vida, e dando espaço a um novo sentimento. Seria possível? Tão possível quanto intenso. Conforme o tempo passava, aquilo crescia dentro dela tão rapidamente que toda a sua vida se atropelou. Ahh! Que o outro se dane. Um novo amor é bom para renovar a alma. E aconteceu. Rápido. Forte. Bonito. Parecia um sonho. Mas ele acordou e partiu. Ela continuou dormindo. Ao invés de sonhos, passou a ter pesadelos – de frio, dor, solidão. Porém, o tempo revela o caminho certo. O que é melhor para mim? Esquecê-lo. Um dia ele voltou. Ela disse não. E foi assim muitas vezes. Um dia eu te amei. Passado. Estas palavras saíam ásperas pela garganta dela, mas precisavam ser ditas. A cada sílaba, seu Coração rebatia-se e protestava: Não! Não é isso que eu sinto, nem o que quero. Porém, ele não entende o que a Razão faz para evitar sofrimentos causados pela Emoção. Quando a gente sabe qual a decisão mais certa a ser tomada, não importa o quão difícil e doloroso vai ser no início, e sim a dor maior a ser evitada no final. Assim ela vai levando a vida: coração gritando o que a boca não pode dizer.

Shinning Star 

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